Portugal precisa de três Mários Soares

Há cinquenta anos, Mário Soares, líder do centro-esquerda, teve a coragem de enfrentar a extrema-esquerda no período turbulento do PREC. Num dos debates televisivos mais célebres da história portuguesa, alertou Álvaro Cunhal de que o seu projecto podia transformar Portugal numa ditadura de inspiração soviética. Cunhal respondeu com o célebre: “Olhe que não, olhe que não.”

Soares foi uma figura essencial no 25 de Novembro de 1975, momento decisivo que pôs fim ao PREC e travou de forma definitiva a tentativa de radicalização revolucionária. Ao lado de militares democratas, Soares ajudou a restaurar a normalidade constitucional e a consolidar o caminho pluralista da nova democracia portuguesa. Sem figuras como ele, Portugal poderia facilmente ter trocado uma ditadura por outra.

Hoje, Portugal enfrenta um desafio semelhante, mas vindo do lado direito do espectro político. Assistimos a um crescimento preocupante da extrema-direita, onde a retórica populista e os ataques aos princípios democráticos são, demasiadas vezes, aplaudidos e normalizados. E, no centro-direita, não parece existir alguém com a clareza, a firmeza e a coragem política de Soares para travar esta deriva.

Nem Luís Montenegro, nem o seu apêndice Nuno Melo têm mostrado, até agora, o estofo de Mário Soares: a assertividade e a coragem para enfrentar sem hesitações o radicalismo do Chega que ameaça os pilares do regime.

A democracia exige líderes capazes de dizer “não” ao autoritarismo, seja ele de esquerda ou de direita. Sem essa postura convicta de princípios, os radicalismos ganham terreno e a sociedade volta a enfrentar riscos que já viveu no passado.

Se Mário Soares mostrou que era possível enfrentar a extrema-esquerda sem comprometer os valores democráticos, hoje é urgente que surja alguém capaz de fazer o mesmo do outro lado do espectro político.

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Manso Preto

Porque a democracia portuguesa está novamente em risco — como já não se via desde o pós-Revolução — e, talvez desta vez, para evitar uma nova ditadura, não baste um mas três Mários Soares.

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