Mudam-se os tempos contra as vontades

O tema da mudança da hora é quase tão antigo quanto a Sé de Braga e consensual como um doce de figo.

Chegou mais uma época de mudança da hora e, como sempre, o país entra em debate. Por todo o lado se discute se devemos continuar a mexer nos ponteiros do relógio, se tal faz sentido ou se devemos estar quietinhos. Nas conversas é fácil de perceber: cada um tem uma opinião firme e inquestionável. Alguns dizem que é essencial para aproveitar melhor a luz do dia; outros garantem que só atrapalha a rotina e confunde os relógios biológicos. E ninguém muda de ideias, claro.

O divertido é que, por mais justificações que surjam, a discussão mantém-se igual todos os anos. É uma conversa quase tão antiga quanto a Sé de Braga, como se costuma dizer. Além disso, é raro haver unanimidade, tal como o nada consensual doce de figo (que me perdoem os adeptos do mesmo) e talvez seja justamente por isso que se torna tudo tão interessante. Ou não: provavelmente, é mais um daqueles assuntos que gostamos todos de discutir e, não raras vezes, só porque sim.

Sobre este assunto, podemos avançar com uma certeza: podemos discordar com respeito, rir das nossas próprias confusões com o despertador e, ainda assim, reconhecer que há vantagens e inconvenientes na mudança da hora.

Não sei em que dia estarão a ler esta crónica, mas caso já tenham mexido nos ponteiros do relógio, posso garantir-vos: ainda vão muito a tempo de dizer “A partir de hoje, quando acordarmos de manhã, já não é noite.” – uma daquelas frases que ouvimos (e dizemos) com relativa tradição e afinco. Ou só porque sim.

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