Bicadas do Meu Aparo: De Algarve a Caminha

Vive o país em ambiente fraudatório. Aquela máxima entre nós de que “quem tem dinheiro compra a Justiça”, tem sido verdade em Portugal. E a canalhada não dorme e as sombras são os seus anjos diabólicos.

A corrupção é um vírus que infecta o poder. A corrupção nunca morre, apenas fica latente. Mas os governos que não a combatem morrem por dentro. Na verdade, desde 2008 até hoje, certos políticos em exercício de funções têm adoecido com a doença rapace, e só resta saber se não é de lhes aplicar a eutanásia ou ajudá-los a apodrecer nas prisões.

O país inteiro conhece os podres (leia-se vigarices) existentes dentro dos partidos políticos. Os partidos tradicionais em Portugal, CDS, PSD, PSP, BE e PCP, todos têm problemas entre os seus militantes, problemas devidamente conhecidos, porque noticiados e, se podemos fazer sobressair oportunismos, arranjos de negócios com dinheiros do Estado à cabeça, abusos de poder e falsificação de qualquer género de papelada/documentos, temos o partido socialista – seus militantes – que tem sido campeão dos maiores monstros a prejudicar o Estado e o povo que lhes paga.

No partido socialista, desde presidentes de junta de freguesias, passando por câmaras municipais a funções governativas, tem sido, como diria Agostinho Caramelo no seu livro Fabricantes de Infernos, um “fartar vilanagem”. Desde o Algarve a Caminha, em qualquer banco ou lugares de exercício governamental, simplesmente, rouba-se.

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O caso mais recente no PS, vem dum tal Miguel Alves, presidente da Câmara de Caminha, que não teve pejo em adiantar trezentos mil euros a uma empresa que iria fazer um trabalho de construção civil. Iria fazer, não o começou tão-pouco, mas iria fazer. Este político – mas de político nada deve ter, porque um político tem sentido de Estado, é sério e sabe que é pago para exercer o bem-comum.

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Razão tinha Salazar no seu tempo. Conta-se que o recentemente falecido professor Adriano Moreira, um dia perguntou a Salazar porque razão só queria gente rica no poder. Salazar que lhe respondeu: “Olhe, professor, o país não precisa de políticos a governar. Os políticos que temos, podendo, comem tudo e não deixam nada. Eu quero gente que trabalhe, que sejam inteligentes, que admirem certos privilégios que possam conquistar e que possam sentir a vanglória de serem cumprimentados nas ruas com chapeladas e sorrisos. Quanto a pessoas ricas que convido para governar, faço-o porque em princípio são pessoas que não precisam de roubar o Estado – pois já são ricos.

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E assim vive o país, mergulhado na corrupção, corrupção que quase sempre é concretizada entre Kamaradas no poder e junto de empresas que, se não são do governante, são do tio ou da esposa, do sobrinho ou dos netos, dos primos ou dos enteados.

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Toda gente come e não trabalha, e o amiguismo tem sido a desgraça de Portugal: de maneira permanente, entre o partido socialista, pelo menos desde a entrada de Sócrates no poder até à data de hoje.

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E o primeiro-ministro António Costa, o político que tem convidado os amigos para exercerem o poder, nunca pensou que o país pode ser governado por si, mas com gente que tenha sentido de Estado, que saiba que é o bem-comum que se pretende distribuir e, se for possível, que faça como Salazar: que convide pessoas ricas para a sua equipa, de molde a que não haja entre os seus amigalhaços corrupção e todo o género de trafulhice nos gabinetes e nos corredores do poder.

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Portugal merece mais e melhores governantes e o PS tem de purgar tantos salafrários – como dizia o escritor alentejano, José Saramago – porque useiros e vezeiros, actuando há mais de uma década, do Algarve a Caminha.

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* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990.

Opinião  
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