Bicadas do Meu Aparo: Monstros do nosso Tempo!

Escritor d’ Aldeia *

w

Até à metade do século passado era vulgar ver-se nas igrejas um quadro nas paredes, com três personagens.

O Anjo, o Diabo e uma pessoa numa cama deitada que estava à espera de deixar este Mundo. O diabo, num lado e o anjo-de-Deus no outro, que esperavam para ver a quem aquela alma iria pertencer – se a Deus, se ao Diabo.

Este quadro – e acredito que haja quem ainda os tenha – transmitia uma mensagem à humanidade. Era a mensagem de que o Diabo também trabalhava e queria o inferno cheio. Se podemos pensar que o Diabo (então) não dormia, se atarefava por “apanhar” todos os prevaricadores em relação às suas vidas vividas, hoje, no presente Mundo baralhado e nu, em relação à ausência da graça de Deus em suas vidas, o Diabo não precisa de estar atento e de muito menos se afadigar: ele, o descarado, o tentador, o sanguissedento das almas perdidas – nestes dois últimos séculos – arrebanha-as com facilidade e dá-se ao luxo de escolher quem quer.

O Diabo, actualmente trabalha pouco. Delegou, tem delegado a sua missão em seguidores visíveis, vivos, que o mundo bem os conhece, bem como sabe daqueles que já fazem parte da negra história. Quem nunca ouviu falar de Nero, de Torquemada, de Rasputine, de Estaline, de Hitler ou de Idi Amin, entre muitos outros? Estes personagens, que no lugar do coração teriam apena pêlos e garras afiadas, não foram na verdade uns instrumentos do maligno, os adversário de todo o homem? Foram e deixaram sementes que tanto no século passado como no presente, entraram em acção para descanso de todo o diabolismo.

Também o autor deste texto foi obrigado a servir – indirectamente – meia dúzia de homens que se deixaram “apanhar” pelas forças do mal, empurrando-o para uma guerra que não queria e que não lhe competia vivê-la, se tivesse existido bom-senso e se tivesse sido reconhecido o direito à liberdade  e aos destinos dos povos.

Numa guerra apenas morrem os que não têm culpa de nada. Os monstros que pensam, organizam e decretam a guerra, não morrem. Estão protegidos por capangas bem pagos e habitam em bunker´s devidamente seguros. Se isto afirmo, é porque conheço a guerra. Estive dentro dela, sorri, chorei, amei e odiei, durante todo o tempo da guerra. E a guerra, como bem afirmou um sociólogo há mais de cem anos, é morrerem militares que “não se conhecem nem se odeiam, por causa daqueles que se conhecem e se odeiam, mas não morrem”, como acima o refiro. Mais: os seguidores e servidores do Demo – militares e políticos civis que organizam a guerra – são aqueles que não têm filhos para servirem na guerra. Se os tivessem, pensariam, com certeza, como substituir a guerra.

Estamos no ano de 2022 e ainda não nos livramos de uma pandemia conhecida em 2019, que já fez algumas dezenas de milhões de mortos em todo o mundo. Talvez perto do fim pandémico, surge agora a guerra da invasão da Rússia à pacata Ucrânia, ao humilde povo ucraniano, por causa de uns verdugos, párias e sanguissedentos militares e dirigentes civis políticos, todos, na pessoa de um novo Hitler ou de um João sem Terra, chamado Putin. Este homem, (também) de altos e grossos pêlos e de garras afiadas, não se importa de transgredir todas as leis e manda destruir um país livre e independente que, tem como desejos a democracia, a liberdade e de querer, por direito, pertencer aos seus – a uma Europa livre.

Putin é perigoso. O mundo já o recusou. E embora Putin tinja de sangue o solo ucraniano e ganhe todas as batalhas, Putin, nunca ganhará essa guerra, nunca terá os ucranianos a prestar-lhe vassalagem e muito menos a reconhecê-lo a ele e à Rússia como seus representantes ou donos.

O solo da Ucrânia é altamente fértil, por isso apetecível. Putin argumenta com esta guerra, querer a segurança da Rússia, mas mente. Um exército como o da Rússia e com tanto armamento, como pode ter medo de pequenos países que o rodeiam? Putin, se o mundo não o travar, continuará com mais guerras e a chamada terceira guerra mundial estará à porta.

Mikhail Gorbatchov da União Soviética, libertou o seu país e vários povos ao redor. Putin, da Rússia, tornou-se o servidor do Demo e, este, pode descansar, pois tem bons representantes em várias localidades do planeta. Só que os militares de Putin e daqueles (militares e civis) que manda atacar, vão morrendo antes do tempo.

w

*

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)

asoares@minhodigital.pt
  Partilhar este artigo
Opinião  
  Partilhar este artigo