Lendas e Mitos do Brasil: Município do Paraná (10)

Almirante Tamandaré (Paraná)

 

Almirante Tamandaré é um município brasileiro do estado do Paraná. A sua população estimada em 2020 era de 120 041 habitantes conforme dados do IBGE. Está a uma altitude de 950 metros acima do nível do mar.

O ouro e sua exploração estão relacionados ao desenvolvimento deste município, que foi desmembrado de Colombo com o nome de Timoneira em 28 de outubro de 1947. Em 24 de março de 1956 houve a reintegração de seu antigo e tradicional nome de Almirante Tamandaré através da Lei Estadual nº 2.644, em homenagem ao Marquês de Tamandaré, almirante e patrono da Marinha do Brasil. Entre seus potenciais, encontra-se a atividade extrativa mineradora, com cerca de 20 indústrias de cal e calcário situadas próximo à Rodovia dos Minérios (PR-092).

Possui, também, quatro fontes produtoras de água mineral que são engarrafadas e comercializadas.

Os habitantes e os naturais do município são denominados tamandareenses. Está localizado na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, mais precisamente na Microrregião de Curitiba, estando a uma distância de 15 km da capital do estado, Curitiba.

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Etimologia

O Marquês de Tamandaré, 1873

O nome do município é uma homenagem ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde e Marquês de Tamandaré, nascido na cidade gaúcha de Rio Grande em 13 de dezembro de 1807 e falecido em 20 de março de 1897, no Rio de Janeiro. O Marquês de Tamandaré foi membro do Conselho Naval Superior e Ministro do Supremo Tribunal Militar. É patrono da Marinha do Brasil e participou de inúmeras lutas internas e das campanhas contra o ParaguaiUruguai e ainda das rebeliões internas SetembradaAbriladaCabanada, Sabinada, Balaiada, Praieira e Confederação do Equador. Etimologicamente o termo “Tamandaré” originou-se da língua tupi “tamanda-ré”, depois da volta, “t’amanari“, o que veio depois da chuva (o mesmo que Noé da lenda do dilúvio entre os povos indígenas).

Os primeiros habitantes do atual território do município de Almirante Tamandaré foram os índios Tinguis. Em 1680 o capitão Salvador Jorge Velho fez “Descoberto da Conceição” (lavra de ouro) no Distrito de Campo Magro. A primeira denominação que se deu ao lugar foi Nossa Senhora da Conceição do Cercado. Com este nome o povoado foi elevado à categoria de Freguesia em 10 de maio de 1873, através da Lei nº 438. Em pouco tempo ganhava a distinção de vila pela Lei Provincial nº 957, de 28 de outubro de 1889, ano primeiro da república brasileira, tendo sido o último município criado no Paraná durante o Império. Em 9 de janeiro de 1890 recebe a denominação atual, uma homenagem ao almirante Marquês de Tamandaré.

Seus habitantes iniciais e fundadores foram homens que perlustraram o primitivo planalto do Paraná, não muito tempo depois que Gabriel de Lara, o Capitão Povoador, se estabeleceu em Paranaguá.

Da mesma forma que tantos outros municípios circunvizinhos, Almirante Tamandaré originou-se das entradas e bandeiras organizadas por portugueses, vicentistas e paulistas, com o objetivo de encontrar ouro e prear índios.

Do início da década de 1930 até meados de 1956, Almirante Tamandaré passou por conturbado período político-administrativo. O Decreto Estadual nº 1.702, de 14 de julho de 1932, suprimiu a vila de Almirante Tamandaré, que passou, então, a fazer parte do município de Rio Branco do Sul, sendo restaurado posteriormente , porém, na divisão administrativa de 31 de dezembro de 1937, Almirante Tamandaré pertencia ao termo e comarca de Curitiba.

Em 20 de dezembro de 1938 ocorreu a extinção do município, através do Decreto-lei nº 7.573, por meio do qual seu território foi integrado ao de Curitiba, mudando seu nome para Timoneira. Alguns anos mais tarde, integraria o município de Colombo.

Somente em 24 de março de 1956, através da Lei nº 2.644, sancionada pelo governador Moisés Lupion, a localidade voltou à condição de município, restaurado também sua antiga denominação de Almirante Tamandaré. Nesta última fase administrativa, o primeiro prefeito foi João Batista de Siqueira.

A LENDA MAIS FAMOSA DA CIDADE.

A cidade de Almirante Tamandaré e Campo Magro compartilham uma lenda de mais de 200 anos que é passada de geração a geração. Esta estória possui ainda traços do tempo da mineração aurífera e não pode ser esquecida. Neste sentido a partir de uma coleta entre os moradores tradicionais temos  ou seguinte:

“…na localidade da Conceição na época Curitiba, hoje Campo Magro, havia um dono de escravos.  E esse comandante tinha o nome de Gaspar, o mesmo tinha muitos escravos que tiravam ouro do rio Conceição.

Quando foi um dia ele resolveu esconder sua riqueza e mandou fazer um buraco próximo a um riozinho e colocou todo o ouro dentro e perguntou para os escravos se havia algum que teria coragem de cuidar de seu tesouro. Mal terminou de perguntar, mais que depressa um dos escravos que estava ali presente se levantou, abanou com a mão dizendo: Eu, cuido!

E o Sr. Gaspar lhe falou, então fique aqui cuidando de meu ouro. Naquele mesmo instante sacou sua arma e atirou na cabeça do escravo o enterrou  junto com o ouro.

Dizem, que hoje em dia ninguém pode se aproximar do local. Pois, é apedrejado e cai uma forte tempestade ou venta demais.

 Apesar disso ser provavelmente uma lenda, existem muitos que vão verificar se é lenda ou não. Porém, pelo que se sabe, nunca encontraram nada”.

 

António J. C. Cunha

  • Naturalidade Portuguesa
  • Nacionalidade Brasileira – Ministério da Justiça do Brasil
  • Cidadão Duquecaxiense – Câmara Municipal Duque de Caxias
  • Academia Duquecaxiense de Letras e Artes
  • Associado do Rotary Club Duque de Caxias – Distrito 4571
  • Coordenador do Banco de Cadeiras de Rodas do RC Duque de Caxias
  • Membro do Conselho Central da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade
  • Cavaleiro Comendador da Ordem dos Cavaleiros de Santo André
  • Diretor Proprietário da Distribuidora de Material Escolar Caxias Ltda. – Papelaria MEC

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ajccunha40@gmail.com
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2 comentários

  1. O que me deixa impressionado um município com tantos anos de existência e com uma população só de 120 mil habitantes. Talvez por estar muito próximo da Capital…CURITIBA.

  2. Parabéns ao autor Sr. Antônio Cunha.
    Excelente artigo e uma verdadeira aula de história do Paraná.

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