Pessoas que evitam antigos amigos. Porque já não precisam deles?

O amigo que todos precisam de ter, ainda que seja apenas um, é aquele que: gentilmente, e com sinceridade, aprecia os nossos pequenos gestos, palavras simples, dádivas humildes; compreende as nossas fraquezas, os nossos erros, os nossos momentos menos felizes e nos aconselha, protege e reforça, ainda mais, se possível, a sua amizade.

Costuma-se dizer que os verdadeiros amigos se revelam na doença, na prisão e nas dificuldades da vida, em relação ao amigo. Este será o amigo incondicional, especial, aquele que guardamos no nosso coração, para sempre.
Indubitavelmente que ter um amigo verdadeiro, muito especial, é um grande privilégio, uma dádiva Divina, porque é extremamente difícil ter-se um amigo com tantas qualidades, virtudes, valores e sentimentos, também muitas exigências, mas não é impossível, basta que sejamos sinceramente honestos e saibamos amar o amigo, retribuir-lhe tudo o que ele nos dá, ou até muito mais! É possível encontrar um amigo com estas dimensões? Acredito que sim, embora reconheça que cada vez é muito mais difícil. Vive-se uma crise de valores, de caráter e de honra.
Ao longo da vida convivemos com milhares de pessoas: da família, passando pelas instituições, as mais diversas; aos locais da escola, do trabalho, da formação, do lazer, das atividades cívico-políticas e religiosas. Nas várias intervenções e papéis que vamos realizando, umas vezes ganhamos, outras perdemos. Ganhar um amigo, custa muito; mas perdê-lo, é num ápice.
É frequente sermos prepotentes, arrogantes e dominadores, quando ganhamos; e sermos invejosos, mesquinhos, repressivos e vingativos, quando perdemos. Esquecemo-nos, então, das tais “esquinas do mundo e da vida” e que a inversão de situações, tanto nos pode ser favorável, como prejudicial. Quase tudo é efêmero, mas uma amizade sincera, uma entrega leal, um comportamento solidário, podem durar para lá da morte física, mas para isso é necessário sermos firmes, ética e intelectualmente honestos.
Quando estamos na “mó de baixo” aceitamos o amigo, tudo o que ele, eventualmente, faz por nós, todavia, se passamos para a “mó de cima”, tendemos a esquecer quem esteve, incondicionalmente, ao nosso lado, quando ninguém mais quis saber de nós. Nesta posição, de aparente superioridade, até há quem humilhe, rejeite, desconsidere ridicularize o amigo que agora está por baixo, eventualmente, devido a insuficiência económica, perda de influência, doença, idade. Isto dói muito.
Esquecemo-nos que, algumas vezes, quando tínhamos uma vida com algumas dificuldades, foram aqueles que, incondicionalmente, estiveram ao nosso lado, com solidariedade, amizade, lealdade, completamente disponíveis para nos ajudar a vencer os momentos menos bons da vida. Foram aqueles que se preocuparam connosco, com a nossa família, com o nosso êxito. Nunca nos abandonaram, nem tiveram vergonha de nós, por muitas falhas na vida que pudéssemos ter.
Ignoramos que, aqueles nossos amigos verdadeiros, nos abriram os seus corações, as suas vidas, que sempre quiserem partilhar connosco: os seus sucessos, projetos, singulares banalidades, convívios, um simples cafezinho, uma palavra amiga, um olhar terno e carinhoso, uma companhia, social e profissionalmente, amigável.
Agora, cansamo-nos destes amigos. Não queremos saber deles porque já não nos servem, os nossos projetos são muito importantes para os partilharmos com amigos tão fracos, ingénuos, demasiado humildes, sem influências nem poder. Provavelmente, hoje, estaremos noutras dimensões, que consideramos superiores. Teremos, até, vergonha daqueles amigos, tão simples, eventualmente, tão cândidos.

diamantino.bartolo@gmail.com
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2 comentários

  1. Ou foram colegas de estudo e passaram a vip’s.
    Preciso d’Ele.
    Eternamente
    Tenho amigos, na simplicidade da pobreza.
    No outro lado, ignoram-me.

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