Celta Porto-Vigo um engana meninos incautos

Orlando Alves

 

Soubemos há dias em tempo real, mesmo ausentes no estrangeiro, da pompa e foguetório comemorativo da chegada do comboio eléctrico a Viana do Castelo. Regressados à terra-mãe, quisemos, mais uma vez, experimentar o comboio Porto-Vigo denominado de Celta.

Com partidas diárias de Porto Campanhã e Vigo, o comboio Celta liga as cidades do Porto e Vigo, com paragens em Nine, Viana do Castelo e Valença, permitindo desfrutar da paisagem verde que rodeia o Minho, como é publicitado no site da CP. Também este comboio, quando há anos inaugurado, teve pompa e circunstância e o enaltecimento geral do governo, autarquias e das Infraestruturas de Portugal.

Há dois anos atrás, precisamente, embalados pelo canto da “sereia”, resolvemos experimentar este Celta colocado nos píncaros dos meios de transporte. Tirámos bilhete de ida e volta, em Viana do Castelo e esperámos o comboio com os tradicionais atrasos, desta feita de trinta minutos. À vinda, ao fim da tarde, lá estávamos impávidos e serenos para embarcar no Celta para regresso a casa. Na estação de Guixar-Vigo, os quadros electrónicos informativos disseram-nos que teríamos de ir de autocarro até à estação de Redondela e de lá partir de comboio até Viana.

Assim fizemos. O comboio à nossa disposição estava em condições higiénicas deploráveis, e um cheiro intenso a gasóleo, proveniente de avaria reparada à pressa e sem considerações maiores pelos utentes.

Ontem, dia 23 de Julho, como somos persistentes e tolerantes, lá fizemos o mesmo trajecto na esperança de que tudo correria bem. Começamos por chegar a Vigo com atraso de uma hora numa composição onde a limpeza não primava. No meio de umas quantas piadas, fizemos a viagem na calmaria do “Senhor”. O pior estaria para vir. Estávamos há meia hora dentro do comboio já com os motores a trabalhar e via-se que tinha sido limpo. Tudo bem! Ou antes, tudo mal: Passada essa meia-hora, pelo menos, vem o revisor espanhol, dizer-nos, constrangido, que teremos de ir até Viana de autocarro.

A nós e a imensos passageiros que fizeram o caminho de Santiago apeados e de bicicleta.

O filme repetia-se dois anos após. “Abençoada” CP que tais comboios têm. Dizia-nos o maquinista galego, que connosco viajou no autocarro até Viana, e seguindo depois de táxi até ao Porto para conduzir o Celta na manhã seguinte, que o comboio não oferecia as melhores condições de segurança. Os comboios portugueses destinados àquele efeito estavam uma verdadeira e inaceitável “porcaria”. Valeu-nos o autocarro, novo, bem conduzido, que nos trouxe sem paragens até à Princesa do Lima que não merece tão degradante meio de transporte.

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