Editorial

No próximo domingo Brasileiros votam no mal menor

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

damiao.velho@sapo.pt

Gosto muito de ler biografias. Há uma que dificilmente vou querer ler, a de Bolsonaro.

O que vou dizer de Bolsonaro é fundamentado no que vejo nos telejornais e leio em jornais ou revistas.

Entristece-me saber que um país como o Brasil, cheio de recursos naturais e intelectuais, tenha um presidente como Bolsonaro.

O país de Chico Buarque e de Paulo Freire não pode ser dirigido ou representado por alguém tão ignorante e irresponsável.

Digo ignorante e irresponsável, e acrescento criminoso.

Criminoso porque Bolsonaro sempre desvalorizou a pandemia da COVID-19, o que levou à morte de milhares de brasileiros.

Infelizmente, existem muitos exemplos que permitem concluir que Bolsonaro não é uma pessoa de bem. Repare-se no caso do juiz e ministro da Justiça Sérgio Moro.

O convite feito por Bolsonaro a Moro para ser ministro é, em si mesmo, um ultraje. Sérgio Moro ter aceitado ser ministro é um desrespeito pela ética e pelos brasileiros, dado o conflito de interesses.

Digo isto, porque Sérgio Moro foi o Juiz que julgou o processo Lava Jato, que levou Lula à prisão e o impediu de ser candidato à Presidência da República Brasileira.

Lula, segundo as sondagens, podia ter sido eleito logo na primeira volta, e a decisão de Moro abriu caminho à vitória de Bolsonaro.

Sérgio Moro envergonhou a justiça brasileira, independentemente de ter razão ou não na prisão de Lula.

Bolsonaro mostrou que existe, de facto, uma promiscuidade entre o poder judicial e o poder político, o que nos faz acreditar que o Brasil não é um Estado de Direito, e que Bolsonaro é um traste.

Para mim é tudo mau em Bolsonaro e por isso não tem ponta por onde se lhe pegue.

Resta Lula.

Lula tirou, enquanto presidente, vinte milhões de brasileiros da pobreza, mas também teve os seus casos polémicos desde o Mensalão, ao processo Lava Jato e um apartamento que terá recebido, através de um Testa de Ferro, como contrapartida de favores, o que culminou na sua prisão, apesar desta condenação vir a ser anulada mais tarde.

No que respeita à política internacional, Lula foi mais que ambíguo em relação à guerra na Ucrânia, num momento histórico em que não há espaço para ambiguidades, quando temos claramente um agredido e um agressor, ponto.

Bolsonaro ainda foi pior quando foi à Rússia demonstrar a sua solidariedade com Putin.

Portanto, Bolsonaro é o desapontamento em pessoa e Lula, para quem esperava melhor, está a desapontar.

Continuo a pensar em como é possível que um país com tantos recursos naturais tenha milhões de brasileiros a viverem na pobreza.

Um país que só por esse facto podia ser praticamente independente do estrangeiro.

Continuo a pensar como um país com tantos recursos intelectuais na música, nas artes, na pedagogia e em tantas outras aéreas tem que escolher,  para governar o país, entre Lula e Bolsonaro.

Só encontro uma explicação,  chama-se corrupção.

Um país que muito recentemente saiu de uma ditadura militar e tem uma democracia ainda em construção.

Uma corrupção endémica e estrutural.

Em síntese, um país que tem tudo para ser um paraíso na Terra, não o é porque tem uma classe dirigente intelectualmente pobre, sem cultura, sem ética, sem tudo o que é de bom e de bem, e cuja práxis governativa é a corrupção.

O Brasil parece estar destinado a não ter remédio e aos nossos irmãos brasileiros resta-lhes esta eterna condenação de escolher o menos mau para governar!

damiao.velho@sapo.pt
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