Editorial

O Salazar que não conhecemos

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

Damião Cunha Velho

damiao.velho@sapo.pt

Não vou aqui falar do Salazar político ou ditador. Isso todos já sabemos.

Vou falar de pequenas histórias da sua vida mais pessoal.

Salazar nunca se aproveitou do cargo que exercia, enquanto Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, para benefício próprio.

Quando viu a sua governanta a encher a mala do carro com lenha, obrigou-a a tirar toda a lenha do carro. Argumentou que o carro era do Estado e como tal não podia ser usado para fins pessoais.

Um dia, a sua governanta pediu-lhe se podia criar umas galinhas no quintal, em São Bento, onde moravam. Salazar só aceitou se as galinhas dessem lucro. A governanta para lhe provar que conseguia pagar as despesas com as galinhas, vendia algumas. O comprador, que adorava uma boa cabidela, era o Senhor Gulbenkian. Sim, o da Fundação Gulbenkian.

Salazar adorava sardinhas. Quando saía de Lisboa, em trabalho, levava consigo uma marmita com comida. Geralmente era bacalhau frito. Sempre que passava junto de alguma obra em construção, aproximava-se dos operários, que habitualmente faziam sardinhas assadas para o almoço, e trocava com eles o bacalhau frito pelas sardinhas assadas. Deliciava-se com as sardinhas comidas em cima do pão.

Era muito reservado e tímido. Teve poucas namoradas e um só amigo do peito. Foi o Cardeal Cerejeira, seu colega de quarto no seminário e que o acompanhou durante toda a vida. Ambos de origens pobres, castos e antiquados. Viram no seminário uma forma de poderem estudar. Ambos chegaram ao poder. Um na política o outro na igreja.

Salazar só saía do país para se encontrar com Franco, Chefe do Estado Espanhol. Só conheceu Portugal e muito pouco da Espanha. Curiosamente, um desses encontros, foi aqui muito perto de Caminha, em Baiona. Tem lá um discreto monumento a assinalar esse encontro.

Salazar, apesar de viver no Palácio de São Bento, vivia de forma modesta. Nunca apreciou grandes luxos e nunca ostentou riqueza.

Passava todos os anos quinze dias de férias no Forte do Estoril. A cerca de vinte e cinco quilómetros de Lisboa.

Como disse no início do texto não falei sobre o Salazar ditador mas todos temos um lado B.

Pena que muitos dos políticos que têm governado o nosso país e que se dizem democratas não tenham lados B’s dignos de serem partilhados.

Infelizmente, já são muitos os maus exemplos!

damiao.velho@sapo.pt
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