Editorial

Um país cheio de coisa nenhuma
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Joaquim Letria

Construímos um País de grandes feitos e poucas ideias.

Distraímo-nos com raros pensamentos, evitamos estratégias, não pensamos no que vai ser o amanhã e preferimos que outros se ocupem em aprofundar a democracia  pela simples razão de que gostamos muito dela mas dá muito trabalho pensarmos na liberdade.

Devia ser obrigatório pensarmos em quem somos como Nação e para onde vamos como Povo. Ainda que tal possa resultar incómodo, seria importante sairmos deste Portugal adormecido pela miragem do bem-estar, esquecidos e sem nos resignarmos no ai-Jesus, vagamente lamurientos na alegria e satisfeitos com o mal menor.

Temos de pensar para além das coisas, esquecermos o desenvolvimento das coisinhas-de-ter-e-mostrar, e deixarmos de nos satisfazermos com os efeitos das fórmulas caducas e dos remédios de bem-fazer.

Acredito que os nossos jovens sentem e sabem que têm desde já essa obrigação. E nós temos a obrigação de ser exigentes, fiscalizadores, forçando-os ao exercício duma crítica construtiva e confiante sem nunca abdicarmos, uns e outros, do indispensável direito à indignação, protestando sempre que uma qualquer promessa não seja cumprida.

Se não fizermos isto, uns e outros, acabaremos por ter vergonha daquilo que deixarmos em legado.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?

Será uma herança de vazio, um País cheio de coisa nenhuma.

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