Editorial

Golpe… mas qual golpe?!!!

Manso Preto

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Director / Editor
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jornalista.manso.preto@gmail.com
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Pretendem-nos fazer crer que o que se passou em Brasília foi uma tentativa de golpe de Estado!

Estou à vontade pois desde há muito que não concordo com muitas das posições de Bolsonaro, ex-presidente deste país nosso irmão que é o Brasil, mas isso não invalida que discorde daqueles que o querem ver como ‘boi na brasa’ e idolatrarem um delinquente. Sim, porque ao contrário do que também nos querem convencer, Lula foi condenado, por unanimidade, em vários ‘patamares’ das instâncias judiciais e só no que corresponde ao nosso Supremo é que não transitou porque, segundo os magistrados, o processo judicial não teve início no Tribunal devido, mandando repetir o julgamento. Entretanto Lula esteve detido, foram rejeitados todos os pedidos de liberdade até que finalmente veio ‘arejar’ pelo Supremo porque, unicamente face à actual legislação brasileira, nenhum cidadão com mais de 65 anos pode estar detido.

Devo esta explicação apenas para se compreender o contexto.

O que aqui ponho em causa é o manifesto e chocante modo como os media em geral puseram de lado a sua independência e objectividade, baseado em factos objectivos e não narrativas criadas e multiplicadas em fake-news. A contestação e ocultação de alegadas provas de adulteramento das eleições foram o ‘copo de água’ que entornou no Palácio do Planalto.

Um golpe de Estado, a ter havido, teria de – naqueles momentos – haver um pronunciamento público dos seus líderes. Não é novidade para ninguém que, em qualquer golpe, as forças militares têm como prioridade fechar os aeroportos, ocupar as principais estações de TV e Rádios para transmitirem um ‘novo poder’ e, desse modo, controlar os políticos do regime e os seus apoiantes. O mesmo cuidado requerem as antenas artesianas difusoras. Os quartéis que não alinhassem no golpe seriam cercados, enfim, neutralizados todos os meios terrestres, de aviação e náuticos.

Nada disto aconteceu!

O que aconteceu foi que a multidão que estava acampada junto ao Palácio do Planalto, bem como cidadãos vindos de outros locais, abeiraram-se daquela sede do Poder e, instigados ou não (há quem fale em infiltrados especialistas na manipulação emocional das multidões), sem que fosse disparado um único tiro, cometeram os actos mais bárbaros de que tenho memória nos últimos anos.

Agora chamar de ‘Golpe de Estado’ a este ‘thriller’ de fraca qualidade, é como comparar o bonacheirão do Pato Donald com Chavez, Maduro, Ortega, Fidel ou qualquer outro ditador da América Latina!

Pior, mas muito pior do que se passou, são os tempos que se adivinham àquele pobre povo brasileiro para quem guardo as mais íntimas orações.

jornalista.manso.preto@gmail.com
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3 comentários

  1. À distancia qualquer um diz o que lhe apetece!
    “E diziam os antepassados” “é tão bom o que vai á horta como o que fica á porta”

  2. À distancia qualquer um diz o que lhe apetece!
    “E diziam os antepassados” “é tão bom o que vai á horta como o que fica á porta”
    O comentário tem a treta do costume, acabou para mim esta “trupe” lerei se me apetecer e jamais comentarei

  3. Inteiramente de acordo com a totalidade do notável artigo. Parabéns. Infelizmente, em Portugal, a maior parte dos comentadores desprezam a objectividade dos factos e tecem narrativas que beneficiem a sua ideologia!…

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